O caso do Banco de Portugal
Publicado domingo, 29 de janeiro de 2012 | Por: Hélio Bernardo Lopes
Portugal, diga-se o que se disser, é um engraçadíssimo país, dado que por aqui se passam episódios simplesmente fantásticos e verdadeiramente singulares. Um destes, e dos mais recentes, é o do Banco de Portugal, cujo alegado regulamento impede que os seus funcionários, certamente todos portugueses, não possam ser chamados ao cumprimento de um dever patriótico e de solidariedade nacional, para mais quando Portugal vive uma situação de pré-bancarrota assegurada, quer por via da crise mundial, quer pela da União Europeia, quer pela desagregadora política deste Governo de Pedro Passos Coelho, perante a aparente passividade do Presidente Cavaco Silva.
Como usa dizer-se, eu darei um prémio a algum dos meus leitores se ele tiver a coragem de acreditar que nos tempos de Salazar estes funcionários não eram chamados a cumprir com o seu dever de defender o País, mesmo que no teatro de operações militares, e mantendo sempre o Banco de Portugal, naturalmente, a sua independência funcional própria. Como é evidente, o Presidente do Conselho não queria nem precisava que o Banco de Portugal surgisse com notícias que não traduzissem a realidade do Estado Português.
Bom, veio o 25 de Abril, vieram os partidos e passou a dispor-se de liberdade. Simplesmente, os portugueses, legal ou ilegalmente, com ou sem lógica, todos europeus, são agora diferentes, porque se são funcionários do Estado Português, bom, sofrem penalizações por necessidade nacional imperativa, mas se o são do Banco de Portugal, todos portugueses e pagos com dinheiro do Orçamento do Estado Português, ah!, nestes casos de patriotismo e de solidariedade nacional, passam a não depender do Estado Português!!
Imagine o leitor esta realidade mais extrema: num destes dias, todos os portugueses, dos setores público ou privado, viam os seus salários reduzidos para metade. Bom, ainda assim, sempre o mesmo poderia continuar o Banco de Portugal a alegar como agora o faz. Qual patriotismo, qual solidariedade, qual quê?! Primeiro, a forma, materializada numa bizarra dupla dependência: para receber, pagamos todos nós, portugueses, mas para o sacrifício patriótico já há que ter em conta o BCE, com a sua patética política para os bancos centrais nacionais. Sendo realmente assim, a verdade é que chega a parecer anedótico. Enfim, resta-nos fazer de parvos e continuar a dizer: mas nós temos agora a democracia.
Como usa dizer-se, eu darei um prémio a algum dos meus leitores se ele tiver a coragem de acreditar que nos tempos de Salazar estes funcionários não eram chamados a cumprir com o seu dever de defender o País, mesmo que no teatro de operações militares, e mantendo sempre o Banco de Portugal, naturalmente, a sua independência funcional própria. Como é evidente, o Presidente do Conselho não queria nem precisava que o Banco de Portugal surgisse com notícias que não traduzissem a realidade do Estado Português.
Bom, veio o 25 de Abril, vieram os partidos e passou a dispor-se de liberdade. Simplesmente, os portugueses, legal ou ilegalmente, com ou sem lógica, todos europeus, são agora diferentes, porque se são funcionários do Estado Português, bom, sofrem penalizações por necessidade nacional imperativa, mas se o são do Banco de Portugal, todos portugueses e pagos com dinheiro do Orçamento do Estado Português, ah!, nestes casos de patriotismo e de solidariedade nacional, passam a não depender do Estado Português!!
Imagine o leitor esta realidade mais extrema: num destes dias, todos os portugueses, dos setores público ou privado, viam os seus salários reduzidos para metade. Bom, ainda assim, sempre o mesmo poderia continuar o Banco de Portugal a alegar como agora o faz. Qual patriotismo, qual solidariedade, qual quê?! Primeiro, a forma, materializada numa bizarra dupla dependência: para receber, pagamos todos nós, portugueses, mas para o sacrifício patriótico já há que ter em conta o BCE, com a sua patética política para os bancos centrais nacionais. Sendo realmente assim, a verdade é que chega a parecer anedótico. Enfim, resta-nos fazer de parvos e continuar a dizer: mas nós temos agora a democracia.

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