O exemplar caso do Serafim
Publicado domingo, 29 de janeiro de 2012 | Por: Hélio Bernardo Lopes
Tive há dias a oportunidade de tomar conhecimento do nosso concidadão algarvio, Serafim, que nos explicou que, desde que surgiu a obrigação de pagar portagens na Via do Infante, deixou de por ela passar, voltando a utilizar a histórica EN 125. É o que designo por um português com personalidade e fibroso, capaz de sofrer em defesa de uma causa em que considera ter razão. Aliás, toda a gente com um mínimo de bom senso pensará como o Serafim.
Infelizmente, estando longe de ser caso único, este comportamento do Serafim continua a não ser plenamente aplicado. E esta é a razão de Portugal estar hoje como está, para lá de outros fatores. De resto, o próprio Salazar, em tempos, numa conversa com amigos, chegou mesmo a referir esta realidade simples e muito evidente: desde que com vontade forte, se um povo quiser consegue dispor um poder enorme, dificilmente quebrável. E tinha razão.
E é por ser assim, que sempre discordei dos que nos referem, ainda hoje, que os portugueses viviam amordaçados, como se estivessem desejosos de dispor de um sistema político democrático. Nunca vi tal, muito pelo contrário. E bastou que tivesse surgido a Revolução de 25 de Abril para que se pudesse assistir às primeiras eleições indiscutidas em Portugal, tanto para a Assembleia Constituinte, como para a Assembleia da República, nas quais o PS e o PCP ficaram a anos-luz do que seria de esperar, liderados como eram por figuras com um passado de luta contra o regime da Constituição de 1933. Duas desilusões.
Os portugueses, e logo a começar pelos próprios jornalistas, fazem tudo, na prática, para pôr em causa a própria democracia. Ainda há dias a CGTP era apontada como uma estrutura sindical comandada pelo PCP, através do comunista Manuel Carvalho da Silva, e já hoje este é uma excelsa personalidade, apontando-se agora o perigo comunista por via de Arménio Carlos ser (também) comunista!
Se os portugueses sentissem realmente o valor da democracia, perante a razão que lhes assiste no caso das SCUT, tratariam de sofrer pela dessa mesma sua razão. Assim, sobra-nos a personalidade forte e lógica do Serafim, que é capaz de sofrer por uma causa que é a sua e em que acha que tem razão. Parabéns, Serafim!
Infelizmente, estando longe de ser caso único, este comportamento do Serafim continua a não ser plenamente aplicado. E esta é a razão de Portugal estar hoje como está, para lá de outros fatores. De resto, o próprio Salazar, em tempos, numa conversa com amigos, chegou mesmo a referir esta realidade simples e muito evidente: desde que com vontade forte, se um povo quiser consegue dispor um poder enorme, dificilmente quebrável. E tinha razão.
E é por ser assim, que sempre discordei dos que nos referem, ainda hoje, que os portugueses viviam amordaçados, como se estivessem desejosos de dispor de um sistema político democrático. Nunca vi tal, muito pelo contrário. E bastou que tivesse surgido a Revolução de 25 de Abril para que se pudesse assistir às primeiras eleições indiscutidas em Portugal, tanto para a Assembleia Constituinte, como para a Assembleia da República, nas quais o PS e o PCP ficaram a anos-luz do que seria de esperar, liderados como eram por figuras com um passado de luta contra o regime da Constituição de 1933. Duas desilusões.
Os portugueses, e logo a começar pelos próprios jornalistas, fazem tudo, na prática, para pôr em causa a própria democracia. Ainda há dias a CGTP era apontada como uma estrutura sindical comandada pelo PCP, através do comunista Manuel Carvalho da Silva, e já hoje este é uma excelsa personalidade, apontando-se agora o perigo comunista por via de Arménio Carlos ser (também) comunista!
Se os portugueses sentissem realmente o valor da democracia, perante a razão que lhes assiste no caso das SCUT, tratariam de sofrer pela dessa mesma sua razão. Assim, sobra-nos a personalidade forte e lógica do Serafim, que é capaz de sofrer por uma causa que é a sua e em que acha que tem razão. Parabéns, Serafim!

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