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Objectivas realidades
HÉLIO BERNARDO LOPES escreve para o Notícias do Nordeste diariamente. É Autor de uma vasta obra que se distribui pelo texto jornalístico, pelo ensaio e pela ficção. Professor universitário, Humanista e matemático de formação, leccionou no ensino superior, tendo sido professor na Escola Superior de Polícia. Exerce a escrita diariamente, sendo colaborador de um considerável número de jornais regionais.
Publicado segunda-feira, 23 de janeiro de 2012 | Por: Hélio Bernardo Lopes

De um modo verdadeiramente inesperado, foi como num destes dias tive a oportunidade de acompanhar uma entrevista curta de José Pacheco Pereira no programa, POLÍTICA MESMO, da TVI 24. E tão inesperada foi para mim aquela intervenção, que logo voltei a vê-la nessa mesma madrugada, por via do sítio da estação televisiva em causa.

Note o leitor que eu refiro aqui o modo inesperado como vi e ouvi José Pacheco Pereira naquele programa, não tendo, porém, ficado admirado com o que ali referiu. E não fiquei admirado porque de há muito reconheço em José Pacheco Pereira uma dose elevada em termos de estigma da consciência, defendendo aquilo em que acredita, mas por pensar que esse é o melhor caminho para todos. É verdade que nem sempre partilho dos seus pontos de vista, mas reconheço-lhe um grau de seriedade analítica que rareia na nossa grande comunicação social.

De resto, o mesmo, ainda que de outra forma, foi dito, logo no dia imediato, por Alfredo Bruto da Costa, que reconheceu neste tal dito acordo histórico um desastre exploratório para os portugueses que hoje trabalham para um patrão. Estranhamente, parece que João Proença será um dos pouco que também achará este acordo como histórico!

Mas se o académico Bruto da Costa nos expôs a evidência, explicada já com um mínimo de pormenor técnico, também Constança Cunha e Sá deu liberdade à sua consciência: este acordo só serve os patrões, deixando quem trabalha à mercê de quem dá emprego e paga infimamente. Também eu me interrogo sobre os efeitos deste acordo, por exemplo, ao nível da liberdade no seio da comunicação social…

Mas o mais interessante das intervenções de José Pacheco Pereira e de Constança Cunha e Sá foi o reconhecimento de que o PS, nos dias que passam, e nos que se avizinham, deixou de ser alternativa de governação. Mais: o primeiro salientou mesmo uma verdade que se vem encorpando, e que é a tentativa do PS de Seguro para vir a corporizar uma intervenção governativa, mas de um novo Bloco Central. Uma realidade que a jornalista, também acreditando não ser o PS uma alternativa de governação, o coloca num hipotético papel de remendo.

Ora, toda esta realidade se viu agora contemplada por um estudo recente, que nos veio materializar o que se conhece da vida corrente: uma enorme parte dos portugueses, da ordem dos sessenta pontos percentuais, está já longe de acreditar no valor da democracia, sendo que só cerca de metade continua a pensar que a democracia é ainda o melhor sistema político.

Sejamos claros: de há muito se percebeu que a globalização, consigo arrastando o pensamento único, retirou lógica e importância à democracia. Esta, naturalmente, terá de materializar-se em escolhas de sociedades organizadas de um modo distinto entre si. E o que agora se sabe é que a atual coligação de poder não aplica o seu pensamento político, mas o pensamento hoje dominante e triunfante. E por isso se percebe que uma qualquer alternativa o será só de protagonistas, mas nunca das políticas que vêm de fora. Olhada como nos referem os manuais, e que é o que possui fundamento lógico, a democracia deixou de ter condições para funcionar. Além do mais, nós já nem podemos escolher entre programas políticos distintos, mas só entre protagonistas. Ou seja e como num destes dias um qualquer movimento de protesto referia: a democracia está moribunda.

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