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A onda justicialista de Vitorino

HÉLIO BERNARDO LOPES, Hélio Bernardo Lopes escreve para o Notícias do Nordeste diariamente. É Autor de uma vasta obra que se distribui pelo texto jornalístico, pelo ensaio e pela ficção. Professor universitário, Humanista e matemático de formação, leccionou no ensino superior, tendo sido professor na Escola Superior de Polícia. Exerce escrita diariamente, sendo colaborador de um considerável número de jornais regionais.

NN - publicado Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

            

No último programa de Ana Lourenço, da SIC, CONTRACORRENTE, tive a oportunidade de acompanhar uma entrevista concedida por António Vitorino, que ouvi com agrado, mas que teve dois pontos que entendo dever aqui comentar: a onda justicialista que se viverá por estes dias, e o valor atual do desemprego.

Quanto a este último, para espanto meu, eis que António Vitorino lá se determinou a viver, digamos assim, dos dados oficiais, referindo que terão já sido ultrapassados os seiscentos mil desempregados!! Muito sinceramente, quase fiquei desapontado, porque quem dispõe da inquestionável qualidade e da experiência de António Vitorino, sabe que, ao menos desde há quatro anos, esse número é o referido.

Ora, passaram quatro anos, com o País a viver como hoje se sabe. Significa tal que o referido número está hoje completamente ultrapassado. De resto, não há muitos dias, deitando mão dos resultados espanhóis neste domínio, e que tanto espantaram Mariano Rajoy, eu estimei, de um modo tão simplório quanto aceitável, que o desemprego em Portugal, ao longo do presente ano civil, deverá atingir um milhão e duzentas mil pessoas. Mas há um dado que é certo: o verdadeiro número estará muito mais próximo desta minha estimativa que daquela, de há quatro anos, agora citada por Vitorino.

Mas também quanto à suposta onda justicialista que se viverá por estes dias, é de discordância a minha posição face às palavras de António Vitorino. E a razão é simples: o problema, como se torna evidente, não está na onda em si mesma, exista ela ou não, mas no cenário moral da política portuguesa – naturalmente, na peugada da do Mundo –, onde uma meia dúzia vive principescamente, face à generalidade dos portugueses, que simplesmente não sabem o que será o seu dia de amanhã.

Foi este cenário, de parceria com as infelicíssimas palavras do Presidente Cavaco Silva, que determinaram as recentes reações. E até consigo compreender que António Vitorino se não dê conta da reação que teve lugar por todo o tecido social, dado que o seu grau de liberdade é naturalmente menor que o dos cidadãos comuns. Mas, para quem gosta e pode frequentar o café logo após o almoço, convivendo coloquialmente com muitos concidadãos seus, facilmente pôde ver a reação generalizada, oscilando entre a crítica feroz e a pândega gozona, em face daquelas palavras pouco felizes. De resto, surgidas num contexto completamente imprevisível para um Presidente da República.

A tal onda dita justicialista, citada por António Vitorino, tal como pude já referir noutros escritos anteriores, só não dá piores resultados em Portugal por via do suporte conferido pela polícia e pela força militar que ainda subsiste. Não fora tal, e talvez tivéssemos já tido desagradáveis desacatos.



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