Foi ontem possível escutar algumas palavras de Manuel Alegre sobre as graves consequências para a vida da generalidade dos portugueses derivadas de uma possível revisão constitucional operada à luz do recente conjunto de ideias apresentado por diversos dirigentes do PSD. E a questão que aqui coloco é esta: porquê este alerta de Manuel Alegre?
Acontece que, há uma semana atrás, foi possível tomar conhecimento de um documento surgido em defesa do atual modelo do Serviço Nacional de Saúde, subscrito por personalidades relevantes no domínio da Saúde.
Ora, um desses subscritores teve a oportunidade de destruir o argumento, já de recurso, apresentado por alguns dirigentes do PSD, e a cuja luz os portugueses continuariam a ser servidos como até aqui, dizendo, com toda a naturalidade e lógica: então se tudo vai continuar, não há razões para operar alterações.
Simplesmente, e como se sabe bem, qualquer mudança no articulado constitucional requer uma maioria qualificada de dois terços de deputados, digamos assim, pelo que a mesma só será possível com o apoio do partido hoje liderado por José Sócrates.
Sendo esta a realidade, porquê, então, este alerta de Manuel Alegre? Apenas explicar aos que possam escutá-lo que o fim do atual modelo de Serviço Nacional de Saúde deixará a maioria esmagadora dos portugueses sem um eficaz direito de defesa da sua saúde e, talvez mesmo, de defesa da própria vida, se a mesma passar por cuidados médicos essenciais? Muito sinceramente, custa a crer que Manuel Alegre ande por aí a falar sobre o que todos de há muito perceberam.
Qual será, então, a causa deste alerta de Manuel Alegre? Bom, porque talvez o histórico militante do Partido (designado de) Socialista saiba que o seu partido, e os seus dirigentes atuais, terão já estabelecido um qualquer acordo nesse sentido com Pedro Passos Coelho e os seus colegas do PSD. É, quase com toda a certeza, a realidade que poderá estar subjacente a este alerta de Manuel Alegre.
Teremos de esperar até que dê entrada, formalmente, a proposta de revisão constitucional do PSD, de molde a poder constatar se a atitude do partido liderado por José Sócrates será a apontada pelo tal subscritor do recente apelo em defesa do Serviço Nacional de Saúde, no sentido de simplesmente recusar qualquer alteração ao atual modelo em vigor, suportado no plano constitucional, ou se, pelo contrário, acabará por alinhar com a proposta do PSD. Ficamos à espera de poder testar o valor deste alerta de Manuel Alegre.
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