As nossas secretas, as outras e o país
Publicado sábado, 14 de janeiro de 2012 | Por: Hélio Bernardo Lopes
Uma notícia de há uns dias, publicada no i, contava aos leitores que as secretas estrangeiras temem fugas de informações de espiões portugueses. Uma notícia que me causou uma sensação de graça e que comentei, alguns minutos depois de a ter lido, com um velho amigo da bica de pós-almoço de outros tempos, mas que nesse dia encontrei por acaso.
Falando com esse meu amigo, coloquei-nos esta questão: mas como é que estes tipos – os do i – sabem que as secretas estrangeiras pensam deste modo? E completei: mesmo que tenham contactos com um ou outro espião estrangeiro, o que tem isso a ver com as secretas, sejam aquelas para quem esses trabalham, sejam as restantes, por esse Mundo fora?
Determinei-me, porém, a explanar um pouco mais o que estava em jogo com a notícia, mostrando a respetiva incongruência. De facto, que razões terão as secretas estrangeiras nesta matéria, quando o segredo de justiça é violado desde sempre no nosso Sistema de Justiça, reconhecendo as nossas autoridades a impossibilidade de lhe pôr um fim? E será que, por tal velha razão, os nossos magistrados não têm vindo a aceder a lugares internacionais de relevo? Claro que não!
Simplesmente, o que se poderá ter passado com o SIED nada tem que ver com a segurança ao nível da troca internacional de informação sensível, porque se assim fosse, de há muito isso mesmo teria gerado problemas diplomáticos diversos, o que nunca teve lugar. Só que o tema está longe de ter sido bem colocado, porque não faltam exemplos de casos de grande gravidade passados com serviços secretos de grande importância.
Veja-se, por exemplo, tudo o que permitiu que a Wikileaks tenha conseguido mostrar ao Mundo o que mostrou. O que permitiria dar aos espiões americanos esta resposta: e o que levou toda aquela informação classificada à Wikileaks?... Ou esta outra: e as tais armas de destruição maciça do Iraque?
Porém, se o interlocutor fosse inglês, também se lhe poderia referir tudo o que se tem passado ao redor do escândalo Murdoch, onde até já estão a surgir escutas a conversas e a e-mails do anterior Primeiro-Ministro… Para já não termos de recuar aos criminosos casos de Estado d’Os Seis de Birmingham, d’Os Quatro de Guilford ou d’Os Sete Maguire…
Ou seja: as secretas estrangeiras devem começar por preocupar-se, isso sim, com elas mesmas, e não com as nossas, que nada representam no quadro geral da intelligence mundial. E como não me passa pela cabeça que alguém de um país com reais interesses geostratégicos se preocupe, por esse Mundo fora, com as nossas secretas, esta notícia agora vinda a lume vale rigorosamente nada. Nadinha!
Dizia, há já uns anitos, João Cravinho para Mário Crespo, a propósito de uma comparação que este lhe apresentou: pois é, Mário Crespo, mas a diferença é que em Inglaterra há ingleses, enquanto que em Portugal há portugueses. Ou seja, e de um modo simples: procuremos, cada um de nós, ser humilde e não manifestar pretensiosismos, e tudo correrá melhor a Portugal e a todos nós.
Falando com esse meu amigo, coloquei-nos esta questão: mas como é que estes tipos – os do i – sabem que as secretas estrangeiras pensam deste modo? E completei: mesmo que tenham contactos com um ou outro espião estrangeiro, o que tem isso a ver com as secretas, sejam aquelas para quem esses trabalham, sejam as restantes, por esse Mundo fora?
Determinei-me, porém, a explanar um pouco mais o que estava em jogo com a notícia, mostrando a respetiva incongruência. De facto, que razões terão as secretas estrangeiras nesta matéria, quando o segredo de justiça é violado desde sempre no nosso Sistema de Justiça, reconhecendo as nossas autoridades a impossibilidade de lhe pôr um fim? E será que, por tal velha razão, os nossos magistrados não têm vindo a aceder a lugares internacionais de relevo? Claro que não!
Simplesmente, o que se poderá ter passado com o SIED nada tem que ver com a segurança ao nível da troca internacional de informação sensível, porque se assim fosse, de há muito isso mesmo teria gerado problemas diplomáticos diversos, o que nunca teve lugar. Só que o tema está longe de ter sido bem colocado, porque não faltam exemplos de casos de grande gravidade passados com serviços secretos de grande importância.
Veja-se, por exemplo, tudo o que permitiu que a Wikileaks tenha conseguido mostrar ao Mundo o que mostrou. O que permitiria dar aos espiões americanos esta resposta: e o que levou toda aquela informação classificada à Wikileaks?... Ou esta outra: e as tais armas de destruição maciça do Iraque?
Porém, se o interlocutor fosse inglês, também se lhe poderia referir tudo o que se tem passado ao redor do escândalo Murdoch, onde até já estão a surgir escutas a conversas e a e-mails do anterior Primeiro-Ministro… Para já não termos de recuar aos criminosos casos de Estado d’Os Seis de Birmingham, d’Os Quatro de Guilford ou d’Os Sete Maguire…
Ou seja: as secretas estrangeiras devem começar por preocupar-se, isso sim, com elas mesmas, e não com as nossas, que nada representam no quadro geral da intelligence mundial. E como não me passa pela cabeça que alguém de um país com reais interesses geostratégicos se preocupe, por esse Mundo fora, com as nossas secretas, esta notícia agora vinda a lume vale rigorosamente nada. Nadinha!
Dizia, há já uns anitos, João Cravinho para Mário Crespo, a propósito de uma comparação que este lhe apresentou: pois é, Mário Crespo, mas a diferença é que em Inglaterra há ingleses, enquanto que em Portugal há portugueses. Ou seja, e de um modo simples: procuremos, cada um de nós, ser humilde e não manifestar pretensiosismos, e tudo correrá melhor a Portugal e a todos nós.

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