Já ninguém hoje duvida de que Portugal, como o Mundo, em geral, endoideceu simplesmente. A uma primeira vista, e mesmo a uma segunda ou a uma terceira, tudo vai de mal a pior. Lamentavelmente, não faltam exemplos de disfunções as mais diversas. E ainda só se vai neste ponto…
NUM DESTES DIAS, DOIS ELEMENTOS DA GNR, pegaram-se numa cena pública de pancadaria, numa grande superfície de Viana do Castelo, embora sem se encontrarem fardados, estivessem ou não de serviço.
Tratou-se de uma inacreditável cena para a nossa vida social, não só pelo facto em si mesmo, com tudo o que representa em termos disfuncionais, mas também porque um qualquer oficial ter explicado à comunicação social não saber se existiria lugar a procedimento disciplinar. Ficamos à espera.
MAS TAMBÉM NA PSP TEVE LUGAR UMA RAZOÁVEL TROVOADA, com Guilherme Guedes da Silva, ainda nomeado pelo Governo de José Sócrates, a ser substituído por Paulo Valente Gomes, que eu conheci muitíssimo bem e com quem tive o gosto de conviver quase diariamente.
Simplesmente, não é cada uma destas pessoas que poderá estar em causa, mas o que todos vinham apontando anteriormente como estando mal na PSP, e que dependia apenas do Governo e da sua política, e não do Diretor Nacional. Bom, vamos esperar para ver. Um dado é certo: tinha razão Guilherme Guedes da Silva ao reconhecer o que se lhe ouviu na sua última entrevista.
SIMPLESMENTE, PORTUGAL ATRAVESSA DIFICULDADES, pelo que seria de esperar que todos os portugueses respondessem à chamada de apoiar o País. Esperava-se, pois, que os funcionários do Banco de Portugal, ao menos de um modo livre, se determinassem a colaborar com os restantes concidadãos já chamados a contribuir com um razoável sacrifício em favor de Portugal.
Mas a reação face a esta infeliz realidade foi de tal ordem, que até Luís Campos Ferreira, deputado do PSD, nos veio agora salientar que seria lógica a referida contribuição para o bem do País por parte dos nossos concidadãos que ali exercem funções.
Uma tomada de posição diametralmente oposta à de Tavares Moreira, ao tentar explicar o inexplicável: os trabalhadores do Banco de Portugal estarão agora a ser chamados a um esforço de trabalho muito elevado. Bom, e os restantes portugueses? Será que andam por aí, sem fazer coisa que se veja e a ganhar à fartazana? Simplesmente inacreditável!
E SE ENTRE NÓS PROSSEGUEM AS REFORMAS NA JUSTIÇA, de que já se percebeu virem a constituir-se num terrível risco para as liberdades, direitos e garantias dos cidadãos, muito em especial os mais carenciados, que são a generalidade dos portugueses, a direita espanhola veio agora com outras ideias perigosas.
Pois, o Ministro da Justiça de Espanha pensa agora vir a introduzir a prisão perpétua, com possibilidade de haver recurso, mas com este previamente pago em termos de custas. Uma iniciativa a aplicar a todos os recursos: só podem ter lugar se previamente pagos. Quem imaginaria tal possibilidade?
CONTINUA, PORÉM, A DEFENDER-SE A DEMOCRACIA na União Europeia, mau grado tudo o que tem vindo a ter lugar na Hungria. É verdade que teve lugar um ligeiro estremeção, mas a coisa acabará por passar.
De resto, o Primeiro-Ministro húngaro explicou até que estas violações grosseiras da democracia têm como finalidade resolver a situação financeira e económica do país, de molde a poder depois voltar a aplicar a democracia. É caso para que nos interroguemos: onde é que nós já ouvimos esta cançoneta?
POR CÁ, DIGA-SE COM VERDADE, AINDA SE CONSEGUE ALGUMA GRAÇA, de novo com as mais recentes declarações de João Jardim, desta vez a propósito do que se tem vindo a passar ao redor das palavras do Presidente Cavaco Silva sobre as suas dificuldades materiais.
Pois, Alberto João Jardim não esteve com meias medidas, declarando que tudo isto que tem vindo a ter lugar na sequência daquelas palavras infelizes e injustas é apenas manobra mafiosa! Nem mais nem menos, caro leitor: manobra mafiosa!! Haja Deus, caríssimo leitor!!!
COMO É EVIDENTE, CHEGOU-NOS A LÓGICA PREVISÃO, desta vez pela voz sempre atenta do Procurador-Geral da República, Fernando Pinto Monteiro: há risco de crescimento da discriminação racial e religiosa. A evidência!
A verdade, porém, é que muitos dos nossos comentadores – mais do que seria lógico – têm vindo a dizer não acreditarem numa tal realidade futura. Segundo estes nossos (supostos) especialistas, as coisas não irão correr mal, dado que os portugueses são serenos. E quem se não recorda do célebre grito de que o Povo é sereno?
MAIS PREOCUPANTE É A TAXA DE INFEÇÕES HOSPITALARES, que vai já no valor de um em cada dez doentes internados. Além do mais, estas infeções são extremamente resistentes aos tratamentos usuais, mesmo aos mais fortes.
Ora, perante uma tal realidade, e em face do desemprego imparável, da pobreza e da miséria, com as misericórdias a queixarem-se de que o dinheiro não chega para as necessidades, bom, começa a perceber-se que ser tratado num hospital poderá ser um risco de vida bastante razoável. E isto é para já…
NO MEIO DE TUDO ISTO, EIS NOVAS BURLAS, também no domínio da Saúde, e que os titulares da Justiça e da Saúde nos referem ser potencialmente graves.Claro que, sendo assim, nada como esperar pelos resultados das investigações judiciárias. O problema é que, ao que nos noticiou Paula Teixeira da Cruz, esses problemas serão de extrema complexidade, envolvendo mesmo criminalidade transnacional. Ora, sendo assim, nós conhecemos já o resultado deste tipo de investigações: nada. Ou, vá lá, quase nada. É um domínio em que os portugueses estão vacinados desde há muito.
DE MOLDE QUE SURGE A QUESTÃO: em que se fica com a questão do enriquecimento ilícito? Sendo verdade que o CDS não quer tal legislação e que o PS quer a óptima – a verdadeira, a legítima –, será que o PSD terá a coragem de se deixar acompanhar pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP? E será que a legislação que vier a ser produzida é eficaz, ou um novo elefante branco? Por mim, este é o cenário mais provável: ir falando, baralhar e dar de novo. Um domínio em que os portugueses têm já uma experiência vastíssima.
DIFERENTE, POR ENQUANTO, É A TAXA TOBIN, que a nossa direita nunca quis, pela qual o PS nunca se bateu infimamente, mas que a liderança Merkozy veio agora considerar imprescindível e pedindo para que entre em vigor rapidamente.
Não deixa de ser espantoso constatar o desastre causado ao Mundo pelos líderes da direita neoliberal do nosso tempo, sempre recusando uma tal mais que lógica medida, para num ápice darem o dito por não dito. Ainda ontem o branco era a cor, e já hoje o branco é preto. Uma direita do quilé, repleta de moral e de capacidade técnica e política.
NESTE CONTEXTO, NADA COMO RECORDAR MANUELA FERREIRA LEITE, porque ela garantiu, e solenemente, que se liderasse o seu partido e o Governo, nenhum aluno deixaria de estudar por falta de meios materiais.
Pois, num destes dias chegou-nos uma atualização do estrondo humano que está a atingir os estudantes do ensino superior: cerca de três mil e trezentos alunos já cancelaram a sua inscrição… De molde que é o momento para que perguntemos: então, Manelinha, o que tem agora a dizer desta realidade, com o seu PSD hoje no poder? Aguardemos.
MAS PROSSEGUE A CRISE, AGORA COM OS ARQUITETOS, já com os ateliers a dispensarem-nos com um caudal humano crescente. O culminar de uma crise que, num certo sentido, sempre existiu ao nível desta profissão.
Simplesmente, se com os arquitetos é esta a realidade, com as empresas de construção civil a ela é já de alerta vermelho: estão à beira da rotura interna, apenas com as maiores a conseguirem faturar, mas lá por fora, com as mais-valias a ficarem por outras paragens.
NO MEIO DE TUDO ISTO, A REESTRUTURAÇÃO DA DÍVIDA. Se o Wall Street Journal diz que vai ter lugar, Vítor Gaspar não se pronuncia, ao mesmo tempo que o Primeiro-Ministro nos explica que tal se não dará, embora à luz da observância de condições que não controla. E o PS? Ah, esse diz-nos o seu já conhecido nim!
A isto, António Saraiva, da CIP, diz que vai haver reestruturação, com Christine Lagarde a chamar a atenção do Mundo e da União Europeia para os riscos do regresso de uma nova depressão mundial, mas pior que a de 1929. De resto, logo secundada por George Soros que antevê o pior para o Mundo que conhecemos: uma catástrofe. Mais: diz, até, que preferia viver, mesmo que ficasse na miséria. Ou seja, tudo numa de óptimo…
EM ESPANHA, O DIREITO ESTÁ LONGE DE VIVER BONS DIAS, com Baltazar Garzón a ser julgado por se ter determinado a dar andamento ao pedido das famílias das vítimas dos crimes contra a Humanidade praticados pelo franquismo.
Infelizmente, os juízes do Supremo Tribunal de Espanha são gente da velha guarda franquista, que nunca viram Baltazar Garzón com bons olhos, mormente depois de ter pedido e ganho a extradição de um criminoso da estirpe de Augusto Pinochet e após ter posto a nu a envolvência de gente importante do Partido Popular no mundo da corrupção. Veremos, por este caso, o que realmente vale a União Europeia em matéria de Direitos Humanos.
MARIA DO CARMO TAVARES, depois de trinta de cinco anos de ação sindical na CGTP, deixa agora estas funções, mas com esta advertência que é uma certeza: pelo caminho político ora trilhado, a Segurança Social Pública corre o risco de se transformar numa estrutura simplesmente assistencialista. Bom, haverá de concordar-se que uma tal realidade se nos mete pelos olhos e desde há muito. Tudo estava dependente do velho sonho hoje materializado, de uma Maioria-Governo-Presidente de direita, cujos resultados dolorosos já se sentem e vêem.
NOS ESTADOS UNIDOS, CUJO MODELO SE ESTÁ APLICAR POR CÁ, uma em cada cinco mulheres já foi violada, ao menos, uma vez. Um recorde a que tem de acrescentar-se este outro: um em cada cento e quarenta e três residentes no país está preso. Ou, ainda, este terceiro: um por cento dos americanos detém quarenta por cento da riqueza.
É este o modelo que o terno políticoMaioria-Governo-Presidente atual nos pretende aplicar, o que acaba por ir fazendo com o extremo beneplácito dos (quase) invisíveis e inaudíveis dirigentes do PS. De resto, as sucessivas posições publicamente assumidas por Mário Soares, como se sabe, são da mais plena contemporização com os resultados desta política e com o modelo que lhe subjaz. Um domínio sobre que nunca esqueço aquela visita à sede do PSD, na companhia de Leonor Beleza e de Alexandre Soares dos Santos. Ou seja: o socialismo democrático em movimento…
POR FIM, AS PALAVRAS RECENTES DE BENTO XVI, segundo as quais a Europa está mergulhada numa crise ética, faltando aos europeus, com frequência, a força motivadora para adotar os sacrifícios necessários. E sintetiza: a Europa encontra-se numa crise económica e financeira que, em última análise, se baseia numa crise ética que ameaça o Velho Continente.
Bom, tudo isto é uma realidade, embora, como desde sempre se pôde ver, o Papa e a Igreja Católica, sob o argumento de se não envolverem em matéria política, nunca apontem o cancro real que está hoje por detrás do caos e da desumanidade que atingiu o Mundo e os que nele vivem.
Este modo de abordar o que está em causa, nunca apontando os responsáveis por se ter chegado ao estado atual, constitui, no fundo, um convite à resignaçãoperante as dificuldades impostas por uma minoria ao Mundo e aos seus habitantes. O caminho apontado seria a resignação perante a pobreza, superada por via da oração. Bom, do meu ponto de vista, para lá de ínfimo, é mesmo inexequível. Mas é, de facto, o que D. Carlos Azevedo, há uns dois ou três anos, respondeu a certa jornalista que lhe perguntou pelas consequências dos mais poderosos não responderem aos seus deveres: terão de responder pelos seus atos num outro Nível. Bom, foi tão pouco, que o desastre lá prosseguiu sem preocupações.