Dizem que devemos ser todos
Publicado quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 | Por: Hélio Bernardo Lopes
Pois é verdade, meu caríssimo leitor: dizem os nossos governantes, em especial o Presidente da República e o Primeiro-Ministro, mas também a hierarquia da nossa Igreja Católica, que os sacrifícios a serem feitos para ajudar o País a sair das atuais dificuldades, que também estão já a atingir a França, devem ser feitos por todos. Infelizmente, tudo não passa de simples palavras, como agora se pôde já perceber e à vista desarmada, como usa dizer-se.
Lembro-me até bem, há perto de ano e meio, de escutar de D. Carlos Azevedo, numa sua curta entrevista televisiva, esta resposta a uma pergunta da jornalista: bom, se os que mais têm não vierem a corresponder à sua obrigação, terão de prestar contas num outro lugar. Também simples palavras, nem verdadeiras nem falsas, porque os que mais têm e não cumprem com o seu dever de solidariedade social, se continuam a frequentar o templo de Cristo, só o farão, porventura, para acalmar o estigma da consciência.
Mas o mais interessante de toda esta situação é constatar como se pode gastar o tempo televisivo, neste caso com a Quadratura do Círculo, dando voltas e mais voltas, por vezes inacabadas, com doutrinas as mais diversas, mas que realmente nada explicam nem servem para conduzir o País e os portugueses a bom porto. Falar para não estar calado, certamente com as usuais prebendas. Verdadeira conversa da treta.
Este Governo, para os ingénuos ou para os diretamente interessados, terá chegado a passar por algo de diferente, sobretudo quando comparado com os de José Sócrates, mas também com os anteriores. Este seria, no dizer da tal legião de ingénuos ou interessados, o Governo da rutura, que não iria embandeirar nos mecanismos da escolha por via de amiguismos. Bom, conhecemos agora a realidade…
Feita esta promessa, como acontecera com tantas outras, eis que, afinal, deitando por terra a Teoria da Probabilidade, gente estrangeira, que não nos deverá conhecer infimamente, se determinou – e tudo por acaso, claro está…– a escolher para dirigentes da nova EDP os homens que escreveram para Pedro Passos Coelho o que este apresentou aos portugueses.
Mau grado ter sido esmigalhado por José Adelino Maltez, naquele debate sobre a Maçonaria, e onde até se esqueceu de falar na Opus Dei – tem sido sempre assim…–, Luís Marques Mendes lá acabou, desta vez, por ter razão, ao expor-nos esta realidade muitíssimo objetiva: haverá alguém que acredite que os chineses sabiam quem era a Dra. Celeste Cardona ou o Dr. Braga de Macedo?! Claro que não!
Mas também António Capucho não deixou de tratar estas coisas pelos verdadeiros nomes, ao referir que o híper-fantástico vencimento de Eduardo Catroga, de parceria com uma reforma da ordem dos nove mil e tal euros, seria pago – o primeiro, claro está – pelos portugueses, através da fatura da eletricidade. Constato que António Capucho, com o seu bom berço, com a sua argúcia e a sua inteligência, mas, acima de tudo, com a sua seriedade, nunca terá esquecido aquela saída atribulada de Luís Filipe Menezes da liderança do PSD…
Infelizmente, nós temos na Assembleia da República um doutor em Direito, Carlos Abreu Amorim, que se deu ao luxo de perguntar ao Bloco de Esquerda quem tinha, neste partido, melhor currículo do que Eduardo Catroga e Jorge Braga de Macedo!! Uma atitude que mostra o extremo a que a política parlamentar pode chegar, porque aquele deputado sabe muitíssimo bem que o problema que colocou, para lá de estar mal colocado, não tem um ínfimo de lógica. De resto, Jorge Braga de Macedo chegou ao lugar de professor catedrático após mestrado, doutoramento, prova para extraordinário – ou já agregação? – e concurso para catedrático, sem que eu saiba se também acabou por ser atingido pelo então novo ECDU.
Em contrapartida, e tal como se dá com Vítor Constâncio, ou com João Cantiga Esteves, Eduardo Catroga foi apenas professor convidado, ensinando ao nível de mestrados. Não devo estar errado se disser que nunca fez parte de nenhum júri de doutoramento ou de agregação, nem dirigiu ninguém em regime de pré-doutoramento. Ora, tudo isto é um abismo em face de, por exemplo, Francisco Louçã, que concorreu a catedrático com mais treze candidatos a quatro vagas, ficando em primeiro lugar. Um terrível momento de grande infelicidade para o académico e deputado, Carlos Abreu Amorim.
Foi pena que Constança Cunha e Sá não fosse agora deputada e ali estivesse na Assembleia da República, porque poderia ter respondido ao académico minhoto que Eduardo Catroga, como todos conhecemos bem, não é o Cristiano Ronaldo da Gestão Empresarial. Neste sentido, convido o meu caríssimo leitor a consultar a Biblioteca Digital do ISEG, procurando, nos autores, por Eduardo Catroga, de molde a ficar com uma ideia dos trabalhos publicados por este nosso antigo Ministro das Finanças. E, se quiser ser mais assertivo, consulte o Curriculum Vitae de Jorge Braga de Macedo, onde encontrará mais de trezentos trabalhos publicados em revistas diversas, muitos dos quais em grandes revistas internacionais de Economia, Finanças ou domínios afins. Tome nota destas revistas e, usando o motor de busca do Google, procure o que se contém em Eduardo Catroga e nessas revistas. A conclusão é única.
Depois do que se viu com a gestão ampliada da Caixa Geral de Depósitos, e que já suscitara bastante reação, tudo se clarificou agora com a nova gestão da EDP e com o que se diz ir ter lugar com as Águas de Portugal. E se a isto juntarmos os vencimentos híper-chorudos que irá receber esta gente do PSD e do CDS, de parceria com esta decisão do Banco de Portugal, de salientar, em nome de mera razão formal, que os seus funcionários ou aposentados não têm a obrigação patriótica que é pedida a uns milhões de portugueses, por acaso dos mais carenciados, bom, ficamos com uma excecional estimativa da (falta) de ética política dos que hoje dominam o que resta da soberania portuguesa.
Se a tudo isto juntarmos a mais recente retoma da perseguição à Maçonaria, de parceria com o pleníssimo silêncio da Igreja Católica Portuguesa em face de tudo isto, nós percebemos o promontório que está hoje a tentar dobrar-se em Portugal… E já agora: que é feito de Mário Soares, de Jorge Sampaio, de António Guterres, por aí fora? E o que tem a dizer, de toda esta pouca vergonha, António Ramalho Eanes, homem da Opus Dei e hoje completamente de direita? Nada?!
Lembro-me até bem, há perto de ano e meio, de escutar de D. Carlos Azevedo, numa sua curta entrevista televisiva, esta resposta a uma pergunta da jornalista: bom, se os que mais têm não vierem a corresponder à sua obrigação, terão de prestar contas num outro lugar. Também simples palavras, nem verdadeiras nem falsas, porque os que mais têm e não cumprem com o seu dever de solidariedade social, se continuam a frequentar o templo de Cristo, só o farão, porventura, para acalmar o estigma da consciência.
Mas o mais interessante de toda esta situação é constatar como se pode gastar o tempo televisivo, neste caso com a Quadratura do Círculo, dando voltas e mais voltas, por vezes inacabadas, com doutrinas as mais diversas, mas que realmente nada explicam nem servem para conduzir o País e os portugueses a bom porto. Falar para não estar calado, certamente com as usuais prebendas. Verdadeira conversa da treta.
Este Governo, para os ingénuos ou para os diretamente interessados, terá chegado a passar por algo de diferente, sobretudo quando comparado com os de José Sócrates, mas também com os anteriores. Este seria, no dizer da tal legião de ingénuos ou interessados, o Governo da rutura, que não iria embandeirar nos mecanismos da escolha por via de amiguismos. Bom, conhecemos agora a realidade…
Feita esta promessa, como acontecera com tantas outras, eis que, afinal, deitando por terra a Teoria da Probabilidade, gente estrangeira, que não nos deverá conhecer infimamente, se determinou – e tudo por acaso, claro está…– a escolher para dirigentes da nova EDP os homens que escreveram para Pedro Passos Coelho o que este apresentou aos portugueses.
Mau grado ter sido esmigalhado por José Adelino Maltez, naquele debate sobre a Maçonaria, e onde até se esqueceu de falar na Opus Dei – tem sido sempre assim…–, Luís Marques Mendes lá acabou, desta vez, por ter razão, ao expor-nos esta realidade muitíssimo objetiva: haverá alguém que acredite que os chineses sabiam quem era a Dra. Celeste Cardona ou o Dr. Braga de Macedo?! Claro que não!
Mas também António Capucho não deixou de tratar estas coisas pelos verdadeiros nomes, ao referir que o híper-fantástico vencimento de Eduardo Catroga, de parceria com uma reforma da ordem dos nove mil e tal euros, seria pago – o primeiro, claro está – pelos portugueses, através da fatura da eletricidade. Constato que António Capucho, com o seu bom berço, com a sua argúcia e a sua inteligência, mas, acima de tudo, com a sua seriedade, nunca terá esquecido aquela saída atribulada de Luís Filipe Menezes da liderança do PSD…
Infelizmente, nós temos na Assembleia da República um doutor em Direito, Carlos Abreu Amorim, que se deu ao luxo de perguntar ao Bloco de Esquerda quem tinha, neste partido, melhor currículo do que Eduardo Catroga e Jorge Braga de Macedo!! Uma atitude que mostra o extremo a que a política parlamentar pode chegar, porque aquele deputado sabe muitíssimo bem que o problema que colocou, para lá de estar mal colocado, não tem um ínfimo de lógica. De resto, Jorge Braga de Macedo chegou ao lugar de professor catedrático após mestrado, doutoramento, prova para extraordinário – ou já agregação? – e concurso para catedrático, sem que eu saiba se também acabou por ser atingido pelo então novo ECDU.
Em contrapartida, e tal como se dá com Vítor Constâncio, ou com João Cantiga Esteves, Eduardo Catroga foi apenas professor convidado, ensinando ao nível de mestrados. Não devo estar errado se disser que nunca fez parte de nenhum júri de doutoramento ou de agregação, nem dirigiu ninguém em regime de pré-doutoramento. Ora, tudo isto é um abismo em face de, por exemplo, Francisco Louçã, que concorreu a catedrático com mais treze candidatos a quatro vagas, ficando em primeiro lugar. Um terrível momento de grande infelicidade para o académico e deputado, Carlos Abreu Amorim.
Foi pena que Constança Cunha e Sá não fosse agora deputada e ali estivesse na Assembleia da República, porque poderia ter respondido ao académico minhoto que Eduardo Catroga, como todos conhecemos bem, não é o Cristiano Ronaldo da Gestão Empresarial. Neste sentido, convido o meu caríssimo leitor a consultar a Biblioteca Digital do ISEG, procurando, nos autores, por Eduardo Catroga, de molde a ficar com uma ideia dos trabalhos publicados por este nosso antigo Ministro das Finanças. E, se quiser ser mais assertivo, consulte o Curriculum Vitae de Jorge Braga de Macedo, onde encontrará mais de trezentos trabalhos publicados em revistas diversas, muitos dos quais em grandes revistas internacionais de Economia, Finanças ou domínios afins. Tome nota destas revistas e, usando o motor de busca do Google, procure o que se contém em Eduardo Catroga e nessas revistas. A conclusão é única.
Depois do que se viu com a gestão ampliada da Caixa Geral de Depósitos, e que já suscitara bastante reação, tudo se clarificou agora com a nova gestão da EDP e com o que se diz ir ter lugar com as Águas de Portugal. E se a isto juntarmos os vencimentos híper-chorudos que irá receber esta gente do PSD e do CDS, de parceria com esta decisão do Banco de Portugal, de salientar, em nome de mera razão formal, que os seus funcionários ou aposentados não têm a obrigação patriótica que é pedida a uns milhões de portugueses, por acaso dos mais carenciados, bom, ficamos com uma excecional estimativa da (falta) de ética política dos que hoje dominam o que resta da soberania portuguesa.
Se a tudo isto juntarmos a mais recente retoma da perseguição à Maçonaria, de parceria com o pleníssimo silêncio da Igreja Católica Portuguesa em face de tudo isto, nós percebemos o promontório que está hoje a tentar dobrar-se em Portugal… E já agora: que é feito de Mário Soares, de Jorge Sampaio, de António Guterres, por aí fora? E o que tem a dizer, de toda esta pouca vergonha, António Ramalho Eanes, homem da Opus Dei e hoje completamente de direita? Nada?!

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