JORNAL ONLINE-REGISTO ERC Nº 125301 - DIRECTOR : LUIS PEREIRA

E então?

HÉLIO BERNARDO LOPES, Hélio Bernardo Lopes escreve para o Notícias do Nordeste diariamente. É Autor de uma vasta obra que se distribui pelo texto jornalístico, pelo ensaio e pela ficção. Professor universitário, Humanista e matemático de formação, leccionou no ensino superior, tendo sido professor na Escola Superior de Polícia. Exerce escrita diariamente, sendo colaborador de um considerável número de jornais regionais.

NN - publicado Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

            

Dois casos recentes chamaram especialmente a minha atenção, embora por razões que, sendo da mesma natureza, apresentam gravidade distinta. Refiro-me às noticiadas escutas que terão tido lugar em estruturas internas da Caixa Geral de Depósitos, e à carne de vacas loucas que há dias foi tratada num documentário da TVI, logo após o noticiário da hora do jantar.

Quanto ao primeiro caso, o mesmo foi entregue, se acaso não erro, ao Departamento de Investigação e Ação Penal, liderado por Maria José Morgado, mas a verdade é que recordo ainda bem um escrito meu onde me interrogava sobre se, fosse qual fosse a razão, se chegaria neste caso a bom porto, ou seja, à descoberta da verdade, com os seus protagonistas presentes a juízo e aí apreciada a respetiva conduta.

Recorrendo de novo à memória, eu creio ter lido há alguns dias uma qualquer notícia onde se referia estar o caso já prescrito, pelo que, a ser assim, e como em mil e um outros casos, lá irá tudo dar de novo em nada. Uma verdadeira sina da nossa organização social: ou não se toma conhecimento de nada, ou toma-se mas está prescrito, ou toma-se mas é complexo, ou não existem meios suficientes e adequados, por aí fora.

Já quanto ao segundo caso, o seu conteúdo é mais preocupante, porque a verdade daquela reportagem é simplesmente esta: não se chegou a perceber nada. O que justifica a pergunta: o que nos tem a dizer sobre um tema tão candente o nosso Sistema de Justiça? Nada? Teremos, todos nós, que assistimos àquela reportagem breve, de ficar num clima de dúvida com o seu quê de dilacerante?

Este é o tipo de tema em que mais se justifica investir em termos de prevenção global e judiciária, porque não será pouco razoável que se assuma aqui uma hipótese pessimista, ou seja, de que casos deste tipo poderão continuar a ter lugar, sendo que os seus resultados, de origem sempre difusa, podem levar muitos anos a vir à superfície.



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