Num destes dias, António Arnaut teve uma sua intervenção junto da Distrital do PS de Coimbra, onde abordou o candente tema da destruição do Serviço Nacional de Saúde, tal como existe hoje na Constituição da República, criado por si e por Mário Soares há décadas, e cujos resultados são hoje claramente visíveis e com um efeito muitíssimo benéfico sobre a generalidade da nossa população.
Mas acho estranhas as palavras que António Arnaut proferiu naquela estrutura do PS, porque elas mostram que o histórico socialista continua a não querer reconhecer a realidade histórica do seu partido e ao ponto a que os seus dirigentes, ao longo de décadas, o conduziram, seja por entre nós, seja por essa União Europeia fora. Até no Mundo, em geral.
Em essência, António Arnaut disse que se o PS de António José Seguro nada fizer para evitar a destruição do Serviço Nacional de Saúde, tal como o mesmo se encontra plasmado no texto da Constituição da República, deve mudar de nome. Bom, trata-se de uma condição lógica, mas completamente fora de tempo. E por esta razão simples: a destruição do Serviço Nacional de Saúde já vinha a ter lugar desde vários dos anteriores Governos, que supostamente pretenderiam racionalizar o seu funcionamento.
Acontece, porém, que o PS nunca foi um partido realmente socialista, nem mesmo social-democrata, cedendo sempre e em todas as áreas e momentos às exigências dos interesses da direita. Tal sucessão de cedências, como sempre se me tornou evidente, teria de conduzir ao esgotamento ideológico do próprio PS. É por ser esta a realidade, que o PS de António José Seguro lá vai sendo (facilmente) levado na onda privatizadora do atual Governo. Dessa onda, como se vai vendo – sempre se percebeu tal realidade –, fazem parte, precisamente, a destruição do Serviço Nacional de Saúde, nos termos definidos pela Constituição, mas também a estrutura pública de Educação e a Segurança Social Pública. De resto, veja-se como a Troika nos veio agora salientar a necessidade de implementar a TSU, cuja natural consequência será sempre a destruição da estrutura de reformas e de pensões.
Mas se é verdade que o PS nunca foi um partido realmente socialista, nem mesmo social-democrata, custa-me entender que António Arnaut não queira reconhecer o que, finalmente, já todos agora dizem perceber: a democracia está moribunda, com os eleitos a realmente nada representarem em matéria de sentimento geral dos portugueses.
Se António Arnaut se determinar a pensar um pouco e tiver a coragem de decidir com alguma dor, será consequente se deixar o PS de hoje, que já nem sequer consegue manter um ínfimo de energia galvanizadora junto dos portugueses, remetendo-se à publicação de análises diversas sobre aspetos da sociedade portuguesa, da União Europeia e do Mundo.
O PS nunca teve plenamente essa energia galvanizadora, suportada em valores fortes, defendidos e aplicados capazmente, havendo por aí muito equívoco sobre a realidade da nossa III República. Hoje, porém, está já à beira do pleno do nada. Não andarei longe da realidade se disser que a situação atual do PS é mais periclitante que a do equilíbrio restante do Costa Concórdia.