Uma extraordinária singularidade
Publicado quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 | Por: Hélio Bernardo Lopes
Com rara frequência, temos tido a oportunidade de poder ouvir palavras exigentes do Presidente Cavaco Silva no sentido da equidade na repartição do esforço de recuperação nacional por parte de todos os portugueses, mas, acima de tudo, dos de maiores possibilidades. Com algum espanto, eis que os funcionários do Banco de Portugal, em nome de questões de forma, dão agora a sensação de estarem ao abrigo desta obrigação que mil e um dizem, quase diariamente, ser de todos os portugueses.
Acontece que há algum tempo atrás eu chamei a atenção dos meus leitores para esta minha dúvida: qual seria o artifício de que o Governo iria deitar mão para vir a pagar aos magistrados o que lhes vai ser cortado como aos restantes funcionários públicos? Bom, eu encontro agora, nesta algo inacreditável decisão sobre os funcionários do Banco de Portugal, um argumento que bem poderá servir como ponto de partida para a questão que coloquei, reforçada, aliás, pela decisão recente sobre os militares em determinada situação.
Mas vamos a um exemplo simples. Dizem os detentores do que resta da nossa soberania que os portugueses e Portugal vivem hoje o momento mais difícil desde há imensas décadas. E dizem, por isso, que este esforço, mau grado o desagrado, é essencial e que deve ser operado por todos os portugueses. Um dever patriótico e de cidadania, portanto.
Ora, sendo esta a realidade, admitamos que se continuam a operar cortes sobre os vencimentos dos funcionários públicos, como se tem vindo a dar. Suponhamos, ainda, que esses cortes venham a trazer aqueles vencimentos para um terço dos existentes antes de tudo isto se ter iniciado. A questão que coloco é esta: e os funcionários do Banco de Portugal? Nada? Fica tudo como se com os restantes portugueses nada esteja a ter lugar? Bom, haverá de compreender-se que é estranho…
Este é que é o Portugal de Abril aos trinta e sete anos de idade, já bem maduro, sem as fanfarronadas próprias da juventude, mas com o espetro relacional que há já uns vinte anos um jornalista emérito me referiu em certa noite, atravessando a Rua da Prata, quando comparávamos o tempo moral das II e III Repúblicas: pois é, ó Hélio, os outros eram mais sérios, mas estes são mais espertos. E o que nos respondeu há dias o fundador do PS? Bom, que Carlos Costa era uma pessoa extremamente séria, o que ninguém nunca contestou como se sabe. Do resto, de Soares nem uma palavra. Mas, enfim, sempre o temos vindo a ver, porque de Sampaio, Guterres ou Constâncio, nem vê-los!
Pode o meu caríssimo leitor ver, por via deste caso – ou destes casos –, o que se daria hoje se os portugueses tivessem de ser chamados ao serviço militar para defender o País. Com o Velho da II República, bom, ninguém deixava de cumprir a sua obrigação, fosse rico ou pobre, filho de graúdo ou de miúdo. Ai se fosse hoje, com esta tal nossa democracia de faz de conta…
Acontece que há algum tempo atrás eu chamei a atenção dos meus leitores para esta minha dúvida: qual seria o artifício de que o Governo iria deitar mão para vir a pagar aos magistrados o que lhes vai ser cortado como aos restantes funcionários públicos? Bom, eu encontro agora, nesta algo inacreditável decisão sobre os funcionários do Banco de Portugal, um argumento que bem poderá servir como ponto de partida para a questão que coloquei, reforçada, aliás, pela decisão recente sobre os militares em determinada situação.
Mas vamos a um exemplo simples. Dizem os detentores do que resta da nossa soberania que os portugueses e Portugal vivem hoje o momento mais difícil desde há imensas décadas. E dizem, por isso, que este esforço, mau grado o desagrado, é essencial e que deve ser operado por todos os portugueses. Um dever patriótico e de cidadania, portanto.
Ora, sendo esta a realidade, admitamos que se continuam a operar cortes sobre os vencimentos dos funcionários públicos, como se tem vindo a dar. Suponhamos, ainda, que esses cortes venham a trazer aqueles vencimentos para um terço dos existentes antes de tudo isto se ter iniciado. A questão que coloco é esta: e os funcionários do Banco de Portugal? Nada? Fica tudo como se com os restantes portugueses nada esteja a ter lugar? Bom, haverá de compreender-se que é estranho…
Este é que é o Portugal de Abril aos trinta e sete anos de idade, já bem maduro, sem as fanfarronadas próprias da juventude, mas com o espetro relacional que há já uns vinte anos um jornalista emérito me referiu em certa noite, atravessando a Rua da Prata, quando comparávamos o tempo moral das II e III Repúblicas: pois é, ó Hélio, os outros eram mais sérios, mas estes são mais espertos. E o que nos respondeu há dias o fundador do PS? Bom, que Carlos Costa era uma pessoa extremamente séria, o que ninguém nunca contestou como se sabe. Do resto, de Soares nem uma palavra. Mas, enfim, sempre o temos vindo a ver, porque de Sampaio, Guterres ou Constâncio, nem vê-los!
Pode o meu caríssimo leitor ver, por via deste caso – ou destes casos –, o que se daria hoje se os portugueses tivessem de ser chamados ao serviço militar para defender o País. Com o Velho da II República, bom, ninguém deixava de cumprir a sua obrigação, fosse rico ou pobre, filho de graúdo ou de miúdo. Ai se fosse hoje, com esta tal nossa democracia de faz de conta…

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